quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Brócolis pode reverter danos da diabetes, diz estudo


Um estudo conduzido por pesquisadores britânicos sugere que o brócolis pode reverter danos causados pela diabetes aos vasos sangüíneos do coração.


A equipe, da Universidade de Warwick, acredita que um composto fabricado pelo vegetal, o sulforafano, seria responsável pela produção de enzimas que protegem os vasos, e de moléculas que reduzem danos causados às células pelo excesso de açúcar.

Segundo os especialistas, os diabéticos têm até cinco vezes mais chances de desenvolver doenças vasculares, como ataques cardíacos e infartos, ambos ligados ao mau funcionamento dos vasos sangüíneos.

O estudo, divulgado na publicação científica Diabetes, testou os efeitos do sulforafano em células dos vasos sangüíneos danificadas por altos níveis de glicose (hiperglicemia), associados à diabetes.

Eles verificaram que o composto encontrado no brócolis reduziu em até 73% o nível de moléculas chamadas Espécies Reativas do Oxigênio (ROS, na sigla em inglês), produzidas em excesso quando o organismo concentra altos níveis de açúcar.

Segundos os especialistas, essas moléculas danificam as células humanas.

Eles também descobriram que o sulforafano ativou uma proteína chamada nrf2, que protege células e tecidos ao produzir enzimas antioxidantes e desintoxicantes.

O coordenador da pesquisa, Paul Thornalley, disse que o estudo sugere que substâncias como o sulforafano podem ajudar a conter o aparecimento de doenças vasculares em pacientes com diabetes.

"No futuro, será importante testar se uma alimentação rica em brócolis e outros vegetais brassica (como couve-flor e repolho) pode se traduzir em benefícios para os que sofrem da doença. Esperamos que sim", disse o pesquisador.

Senador quer saber sobre uso de insulina


O senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) foi à tribuna conclamar o Ministério da Saúde a posicionar-se rapidamente sobre os efeitos de uma nova insulina produzida no Brasil, que poderá baratear os custos do produto para milhares de diabéticos dependentes deste hormônio. Valadares considerou fundamental o posicionamento transparente do Ministério, lembrando que oligopólios da indústria farmacêutica já fizeram campanhas em outros países contra ações de governo, que priorizam a saúde pública contra o mercantilismo.

De acordo com Valadares, entidades representativas de pacientes com diabetes, como a Federação Nacional de Associações e Entidades de Diabetes (FENAD) e a Rede Nacional de Pessoas com Diabetes (RNPD), além de alguns profissionais de saúde, começaram a levantar dúvidas quanto à qualidade da insulina produzida no Brasil pelo Instituto de Tecnologia em Fármacos, vinculado à Fiocruz, conhecido como “Farmaguinhos”.

“Portanto, é necessário que o Ministério da Saúde coloque um ponto final nessa questão sobre a qualidade da insulina produzida no Brasil com tecnologia da Ucrânia, com um esclarecimento objetivo a todos os usuários do serviço de saúde pública a respeito, por exemplo, do prazo de validade dessa insulina e seu registro no Brasil. Ainda é necessário que o Ministério seja transparente sobre o acompanhamento dos efeitos do produto na saúde dos brasileiros com diabetes”, frisou o senador.

O Brasil firmou há algum tempo contrato com a Ucrânia para compra de tecnologia na produção de insulina NPH, para não ficar na dependência de dois ou três fabricantes, que praticavam preços elevados. A princípio a parceria supriu 30% das demandas internas e agora é mantida em 70%, fazendo com que os preços tenham caído substancialmente.O diretor do “Farmaguinhos”, Edudardo Costa, afirmou que o produto está sendo registrado no Brasil e permitirá uma economia aos cofres públicos, em quatro anos, da ordem de R$ 300 milhões e, em 15 anos, de R$ 1,2 bilhão.

Diabetes tem novo tratamento


Ao contrário do que recomenda a maioria dos médicos hoje em dia, quanto mais próximos da normalidade os níveis de glicose no sangue, maiores são os benefícios para quem sofre de diabetes do tipo 2. Esta é a conclusão do maior estudo já feito sobre o distúrbio, abordado por uma reportagem de VEJA desta semana. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica The New England Journal of Medicine e apresentados no congresso da Associação Americana de Diabetes, realizado na semana passada, em São Francisco, nos Estados Unidos.

No trabalho conhecido como Advance, especialistas do George Institute, da Austrália, acompanharam 11.140 diabéticos, de vinte países, ao longo de cinco anos. Os pesquisadores usaram como base de análise as taxas de hemoglobina glicada no sangue dos doentes. A hemoglobina glicada é uma proteína que indica com precisão a glicemia do paciente nos últimos três meses. Sua concentração varia de 4% a 6% nas pessoas saudáveis.

Entre os portadores de diabetes tipo 2, o tratamento-padrão tem por objetivo atingir patamares entre 7% e 7,5%. No estudo australiano, porém, um grupo de doentes foi medicado de modo a reduzir tais níveis a 6,5%. Os resultados foram animadores: nesse patamar, diminuiu em 21% e 12%, respectivamente, o risco de problemas renais e de distúrbios cardiovasculares – duas das mais comuns e perigosas complicações causadas pela doença.

"O estudo do George Institute representa um marco na mudança de conduta dos médicos", afirmou a VEJA o endocrinologista Leão Zagury, do Rio de Janeiro. Entenda por que, a partir deste novo estudo, o tratamento do diabetes tipo 2 terá de ser repensado em todo o mundo.