quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Fuja da lei seca: chegou o vinho sem álcool


Para quem curte acompanhar as refeições com vinho ou mesmo tomar uns copos num bar com amigos teve seu hábito profundamente abalado pela nova legislação que pune com rigor quem dirige após consumir bebidas alcoólicas. Mas existe uma opção que permite o consumo de vinho e ainda assim passar incólume pelo bafômetro: vinhos sem álcool.

A Sobrietà Bebidas Especiais comercializa há seis anos vinhos sem álcool produzidos na Serra Gaúcha. Desde o início da vigência dessa lei suas vendas deram um salto na ordem de 70%. Os vinhos são produzidos pela La Dorni feitos pela fermentação natural da uva, portanto com álcool como qualquer outro. Depois de finalizada a fermentação, o vinho passa por um processo de desalcoolização em Bandeirantes, no Paraná, onde é engarrafado. Durante esse processo não sofre nenhum processo químico, somente físico. Seus vinhos mantêm todas as características de um vinho normal: paladar, aroma e propriedades medicinais.

Quem pensa que vinho sem álcool e suco de uva são a mesma coisa, engana-se. O suco de uva é feito, geralmente, pelo cozimento da uva com açúcar e adicionado água. O vinho sem álcool é feito pela fermentação natural da uva (sem adição de água) e depois, desalcoolizado. Portanto são processos diferentes e com propriedades e benefícios diferentes.

O paladar é diferente, é claro, dos vinhos com álcool. Nos vinhos suaves sobressai um gosto licoroso e os secos ficam com o paladar mais rascantes. Os produtores não contam, de jeito nenhum, o segredo desse processo que não deve ser simples, pois existem muito poucos vinhos sem álcool no mundo. Mas para os curiosos, informam apenas que não é um simples aquecimento para fazer o álcool evaporar.

Esse processo não é barato e leva a uma grande perda de volume inicial da bebida. Por exemplo, para se obter 1 litro de vinho tinto suave sem álcool são necessários 2,4 litros do vinho pronto, pois no momento da desalcoolização, além do álcool, perde água e outros componentes. Os flavonóides, no entanto, são encontrados numa proporção até 65% maior que nos vinhos com álcool. Para se fazer 1 litro do vinho tinto seco sem álcool precisamos de 3,5 litros do vinho tinto seco.

Pelas informações obtidas com enólogos, alguns outros vinhos sem álcool sofrem processos tão danosos em sua elaboração que acabam descaracterizando a bebida. Além disso, a maior parte dos vinhos sem álcool estrangeiros tem uma mistura de suco de uva e água, que o descaracteriza mais ainda.

Segundo Leandro Simões, diretor comercial da Sobrietà, distribuidora exclusiva dos vinhos La Dorni, os vinhos foram desenvolvidos após anos de estudos e tentativas. Vale observar que o vinho sem álcool não é suco de uva: “Seu processo de produção é feito através da fermentação, ao contrário do suco, quando as uvas são cozidas e adoçadas”, explica Leandro.

Os vinhos sem álcool La Dorni têm em média 0,2º de teor alcoólico, detectável somente em laboratório. O suco de uva tem de 0,6 até 0,8º de teor alcoólico, o suco de maracujá tem 1º e o caldo de cana chega a 1,2º. Demonstrando que os vinhos realmente não têm álcool, a Sobrietà usou um bafômetro em seu stand durante uma exposição de vinhos canônicos sem álcool na ExpoCatólica, produto que também comercializa com sucesso, durante esse mês de agosto.

Os Vinhos La Dorni são apresentados em tinto, branco e rosé suave com preço em torno de R$ 17,00. Vinificados em seco, o tinto e o branco estão no mercado em torno de R$ 24,00. Oferecem ainda o tinto em garrafas com 365 ml, sendo o suave (R$ 11,00) e seco (R$ 15,00).

A quem se Destina - Os vinhos sem álcool não apresentam restrição de consumo. Destina-se a pessoas apegadas a tradições religiosas e a apreciadores que não podem mais consumir bebida alcoólica por portar algum tipo de doenças como diabéticos, doentes hepáticos, hipertensos, cardíacos, alérgicos a álcool e todas as pessoas que tomam medicamentos. Mas, mesmo pessoas que gostam de vinhos e não desejam efeitos colaterais que algumas doses de álcool podem trazer, como pessoas da terceira idade, teens e alguns naturalistas, podem apreciar os vinhos sem álcool sem restrições.

Leandro conta ainda sobre a quantidade de pessoas que lhe telefonam emocionadas porque pararam de tomar vinho por algum motivo de saúde e se realizam em perceber que ainda podem sentir esse sabor que foi um dia importante para eles. “Para muitas pessoas o vinho remete a coisas boas e a pessoa se sente socialmente excluída quando não pode mais beber. Ao perceber que pode beber vinho sem álcool, se sente renascida”. conta Leandro.

Outra boa noticia é sobre os benefícios para a saúde. Os vinhos La Dorni mantém os mesmos efeitos que o vinho tinto normal, ajudando a baixar o colesterol ruim e a aumentar o colesterol bom; a desobstruir as artérias e vias coronárias, entre outros benefícios.

Para se obter os benefícios medicinais que um copo de vinho tinto (com álcool) oferece, seria necessário beber três copos de suco de uva. O vinho La Dorni tem até 65% de flavonóides, portanto para se obter os mesmos benefícios medicinais de um copo do vinho sem álcool La Dorni, seria o mesmo que consumir 1,5 copo de vinho tinto com álcool ou 4,5 copos de suco de uva.

Onde encontrar.: Os vinhos sem álcool estão disponíveis em lojas de destaque como a Casa Santa Luzia , La Rioja, Empório Frei Caneca, em São Paulo, o Lidador. Mundo Verde, Castelo do Vinho, no Rio de Janeiro e em redes como Wal-Mart, Carrefour e Bom Preço.Em outros estados como Belo Horizonte, Curitiba, Brasília, Florianópolis, Porto Alegre, Salvador. (Revista Fator)

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Brócolis pode reverter danos da diabetes, diz estudo


Um estudo conduzido por pesquisadores britânicos sugere que o brócolis pode reverter danos causados pela diabetes aos vasos sangüíneos do coração.


A equipe, da Universidade de Warwick, acredita que um composto fabricado pelo vegetal, o sulforafano, seria responsável pela produção de enzimas que protegem os vasos, e de moléculas que reduzem danos causados às células pelo excesso de açúcar.

Segundo os especialistas, os diabéticos têm até cinco vezes mais chances de desenvolver doenças vasculares, como ataques cardíacos e infartos, ambos ligados ao mau funcionamento dos vasos sangüíneos.

O estudo, divulgado na publicação científica Diabetes, testou os efeitos do sulforafano em células dos vasos sangüíneos danificadas por altos níveis de glicose (hiperglicemia), associados à diabetes.

Eles verificaram que o composto encontrado no brócolis reduziu em até 73% o nível de moléculas chamadas Espécies Reativas do Oxigênio (ROS, na sigla em inglês), produzidas em excesso quando o organismo concentra altos níveis de açúcar.

Segundos os especialistas, essas moléculas danificam as células humanas.

Eles também descobriram que o sulforafano ativou uma proteína chamada nrf2, que protege células e tecidos ao produzir enzimas antioxidantes e desintoxicantes.

O coordenador da pesquisa, Paul Thornalley, disse que o estudo sugere que substâncias como o sulforafano podem ajudar a conter o aparecimento de doenças vasculares em pacientes com diabetes.

"No futuro, será importante testar se uma alimentação rica em brócolis e outros vegetais brassica (como couve-flor e repolho) pode se traduzir em benefícios para os que sofrem da doença. Esperamos que sim", disse o pesquisador.

Senador quer saber sobre uso de insulina


O senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) foi à tribuna conclamar o Ministério da Saúde a posicionar-se rapidamente sobre os efeitos de uma nova insulina produzida no Brasil, que poderá baratear os custos do produto para milhares de diabéticos dependentes deste hormônio. Valadares considerou fundamental o posicionamento transparente do Ministério, lembrando que oligopólios da indústria farmacêutica já fizeram campanhas em outros países contra ações de governo, que priorizam a saúde pública contra o mercantilismo.

De acordo com Valadares, entidades representativas de pacientes com diabetes, como a Federação Nacional de Associações e Entidades de Diabetes (FENAD) e a Rede Nacional de Pessoas com Diabetes (RNPD), além de alguns profissionais de saúde, começaram a levantar dúvidas quanto à qualidade da insulina produzida no Brasil pelo Instituto de Tecnologia em Fármacos, vinculado à Fiocruz, conhecido como “Farmaguinhos”.

“Portanto, é necessário que o Ministério da Saúde coloque um ponto final nessa questão sobre a qualidade da insulina produzida no Brasil com tecnologia da Ucrânia, com um esclarecimento objetivo a todos os usuários do serviço de saúde pública a respeito, por exemplo, do prazo de validade dessa insulina e seu registro no Brasil. Ainda é necessário que o Ministério seja transparente sobre o acompanhamento dos efeitos do produto na saúde dos brasileiros com diabetes”, frisou o senador.

O Brasil firmou há algum tempo contrato com a Ucrânia para compra de tecnologia na produção de insulina NPH, para não ficar na dependência de dois ou três fabricantes, que praticavam preços elevados. A princípio a parceria supriu 30% das demandas internas e agora é mantida em 70%, fazendo com que os preços tenham caído substancialmente.O diretor do “Farmaguinhos”, Edudardo Costa, afirmou que o produto está sendo registrado no Brasil e permitirá uma economia aos cofres públicos, em quatro anos, da ordem de R$ 300 milhões e, em 15 anos, de R$ 1,2 bilhão.

Diabetes tem novo tratamento


Ao contrário do que recomenda a maioria dos médicos hoje em dia, quanto mais próximos da normalidade os níveis de glicose no sangue, maiores são os benefícios para quem sofre de diabetes do tipo 2. Esta é a conclusão do maior estudo já feito sobre o distúrbio, abordado por uma reportagem de VEJA desta semana. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica The New England Journal of Medicine e apresentados no congresso da Associação Americana de Diabetes, realizado na semana passada, em São Francisco, nos Estados Unidos.

No trabalho conhecido como Advance, especialistas do George Institute, da Austrália, acompanharam 11.140 diabéticos, de vinte países, ao longo de cinco anos. Os pesquisadores usaram como base de análise as taxas de hemoglobina glicada no sangue dos doentes. A hemoglobina glicada é uma proteína que indica com precisão a glicemia do paciente nos últimos três meses. Sua concentração varia de 4% a 6% nas pessoas saudáveis.

Entre os portadores de diabetes tipo 2, o tratamento-padrão tem por objetivo atingir patamares entre 7% e 7,5%. No estudo australiano, porém, um grupo de doentes foi medicado de modo a reduzir tais níveis a 6,5%. Os resultados foram animadores: nesse patamar, diminuiu em 21% e 12%, respectivamente, o risco de problemas renais e de distúrbios cardiovasculares – duas das mais comuns e perigosas complicações causadas pela doença.

"O estudo do George Institute representa um marco na mudança de conduta dos médicos", afirmou a VEJA o endocrinologista Leão Zagury, do Rio de Janeiro. Entenda por que, a partir deste novo estudo, o tratamento do diabetes tipo 2 terá de ser repensado em todo o mundo.